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Em delação, Livânia cita “ajuda” a João na eleição; Azevêdo contesta

Em um dos depoimentos de sua delação premiada, a ex-secretária de Administração do Estado, Livânia Farias, disse aos investigadores da Operação Calvário da suposta existência, na pré-campanha de 2018, de pagamentos ao então candidato João Azevêdo (sem partido) entre os meses de abril, maio, junho e julho, para os seus gastos pessoais durante o período de licença do cargo de secretário de Infraestrutura.
O valor teria sido levantado a pedido de Ricardo Coutinho, à época, governador da Paraíba. João Azevêdo, porém, contesta. (veja o que disse o governador no final da reportagem).
“Que uma vez que JOÃO AZEVEDO havia deixado o cargo de secretário, precisava de dinheiro para se sustentar durante a campanha; perguntou se R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) estava bom”, diz um dos trechos de peça do Ministério Público.
Na delação, a delatora afirma que alertou Ricardo Coutinho sobre a origem do dinheiro a ser repassado, a Cruz Vermelha. Ela também afirma que os valores foram repassados a Deusdete Queiroga, na ocasião secretário adjunto da Infraestrutura.
João questiona OS’s
A ex-secretária relatou também que logo após Azevêdo deixar o cargo de secretário, teve uma reunião com ele no Edifício Central Park, na oportunidade onde o gestor lhe perguntou, segundo o que ela disse aos investigadores, se havia algum “rabo preso com alguém ou com alguma OS”. Farias respondeu que não tinha “rabo preso” e que a Cruz Vermelha lhe dava muito dinheiro para campanha.
A colaboração traz também um trecho em que Livânia conta sobre uma reunião de Transição, onde João queria saber como era o funcionamento da “questão das O.S. na Saúde”. Ela disse que na oportunidade a resposta foi dada com base nos fatos administrativos. Azevêdo questionou, então, se o Governo deveria seguir trabalhando com as O.S.
“Que após JOÃO AZEVEDO ter tomado posse, depois que houve a intervenção no Hospital de Trauma, ele perguntou aos secretários se deveria continuar com a gestão das O.S”, relata outro trecho do documento, baseado na delação.
Livânia cita uma reunião no Canal 40, logo depois da eleição de João. Nela, o governador eleitor teria pedido que a secretária de Administração do Estado permanecesse no cargo. Ela, então, teria falado para Azevêdo que não iria ficar resolvendo financeiros e repasses e acordou se manter na função por mais um ano.
A ex-secretária afirmou que, antes de eleito, João Azevêdo mandou lista de nomes de indicações políticas para o Hospital Metropolitano, assim como uma outra relação de nomes de autoria de deputados.
João contesta delação de Livânia
O governador João Azevêdo (sem partido) contestou, na manhã desta segunda-feira (13), o que disse a ex-secretária Livânia Farias sobre o possível repasses de dinheiro como “ajuda de custo”.
“Jamais recebi recursos de quem quer que seja. É importante entender isso. O que eu vi no documento é que ela cita recursos destinados para despesas de campanha. Jamais recebi recursos de quem quer que seja para fazer uso pessoal. A campanha foi bancada com recursos do partido. Eu jamais autorizei alguém recebesse recursos ilegais para bancar essas despesas”, disse.
João prosseguiu, dizendo, que “teve uma campanha limpa”. “A mim cabia como candidato estar no mundo rodando, como rodei quarenta mil quilômetros a Paraíba, não cuidava dessa área financeira. Havia uma coordenação e uma estrutura que cuidava disso. Agora, infelizmente os termos usados fazem, de forma equivocada uma ligação, jamais recebi mensalão de ninguém. Eu tenho uma história nesse estado”, afirmou.
MaisPB

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